Torres Vedras enfrenta cenário “semelhante a um terramoto” devido a sucessivos aluimentos de terras

O concelho de Torres Vedras vive um cenário descrito pelas autoridades como próximo de uma catástrofe natural, na sequência de sucessivos aluimentos de terras provocados pela forte instabilidade do solo. O vereador da Proteção Civil municipal, Diogo Guia, afirmou que a situação é comparável à de um terramoto, alertando para o elevado risco para pessoas e para a circulação rodoviária. O plano municipal de emergência está ativado e a Proteção Civil recomenda que a população permaneça em casa e privilegie o teletrabalho.
Nas últimas 24 horas, pelo menos 14 pessoas foram retiradas das suas habitações por risco de deslizamentos ou inundações, sobretudo nas localidades do Carvalhal, Gibraltar e Ponte do Rol. O aumento do caudal do Rio Sizandro agravou o cenário, com a água a invadir habitações e a obrigar ao reforço de medidas de contenção, incluindo o envio de camiões de areia para zonas mais vulneráveis.
Os danos nas infraestruturas rodoviárias são considerados particularmente graves. Há estradas cortadas e outras em risco de colapso, incluindo ligações à Serra da Vila e acessos ao nó da Autoestrada A8. Também a Rua Bernardino Machado apresenta risco estrutural elevado, tendo sido proibida a circulação de veículos pesados. As estradas nacionais 9, 248 e 247 registam igualmente cortes devido a inundações e derrocadas em vários pontos do concelho.
A instabilidade do terreno ameaça ainda património histórico. O talude onde se ergue o Castelo de Torres Vedras mostra sinais preocupantes de cedência, pressionando estruturas de suporte e provocando deformações na calçada de arruamentos do centro histórico. Em paralelo, as escolas permanecem encerradas e todas as atividades suspensas, enquanto equipas técnicas monitorizam permanentemente a evolução do terreno.
O cenário em Torres Vedras insere-se num quadro mais vasto de destruição provocado pelo recente temporal que afetou grande parte do país. O Governo de Portugal decretou situação de calamidade em dezenas de concelhos e anunciou um pacote de apoio de até 2,5 mil milhões de euros. As regiões mais afetadas incluem o Centro, Lisboa e Vale do Tejo e o Alentejo, com registo de vítimas mortais, centenas de desalojados e danos extensos em habitações, empresas e infraestruturas essenciais.







