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Anticiclone traz breve pausa na chuva, mas modelos meteorológicos apontam para regressos das precipitações

No entanto, as mais recentes projeções dos modelos meteorológicos indicam que esta estabilidade será curta e que a chuva deverá voltar com força no final de fevereiro e início de março.

Anticiclone apenas por alguns dias

Os modelos atuais sugerem que o anticiclone se irá instalar entre os dias 19/20 e 23/24 de fevereiro, proporcionando uma pequena pausa nas precipitações que têm marcado este mês. Este impulso de tempo seco deve garantir céu mais limpo e uma redução temporária da instabilidade atmosférica, que tem sido persistente devido à influência de sistemas frontais atlânticos.

Apesar desta breve fase anticiclónica, as projeções mais recentes do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo (ECMWF) apontam para um aumento significativo da probabilidade de chuva a partir do final de fevereiro. A estimativa de precipitação para os dias 25 a 28 de fevereiro subiu de cerca de 10–20% para cerca de 75%, e outros modelos, incluindo o AIFS (com base em inteligência artificial) e o Graphcast, também indicam a tendência para retorno da chuva. Quando modelos físicos e baseados em IA convergem na mesma solução, a confiança na previsão aumenta consideravelmente.

Não se prevê retorno de um cenário extremo… por enquanto

Para já, os modelos não apontam para um evento tão extremo como o que se registou no início do mês — altura em que um bloqueio atmosférico em latitudes elevadas gerou um verdadeiro “comboio de depressões” que atravessou o país e trouxe precipitações que, em algumas regiões, chegaram a acumular 3 a 4 vezes a média normal de fevereiro em apenas 15 dias.

Ainda assim, com solos já saturados e níveis de rios elevados, não é necessário um evento extremo para que ocorram transtornos significativos. Chuvas dentro da média climatológica podem já ser suficientes para provocar cheias em zonas vulneráveis, sublinha o serviço meteorológico Luso Meteo.

O que está a influenciar a mudança de padrão

Três fatores principais estão a influenciar esta possível viragem no padrão atmosférico:

Vórtice polar enfraquecido — tem permitido um jato polar mais ondulado e uma estabilidade temporária, mas a expectativa é que se reorganize entre os dias 25–27 de fevereiro.

Posição do vórtice polar — dependendo de onde se situa (mais próximo da Gronelândia/Canadá ou mais centrado no Atlântico), o risco de chuva mais intensa e geral aumenta.

Fases 4 a 6 da MJO (Oscilação Madden-Julian) — estas fases, com convecção tropical concentrada entre o Índico e o Pacífico Ocidental, tendem a favorecer o desenvolvimento de depressões no Atlântico.

Oscilação nas previsões de temperatura

Há poucos dias, uma modelação do ECMWF chegou a apontar para temperaturas máximas até 26 °C no dia 27 de fevereiro. No entanto, revisões mais recentes indicam agora um cenário mais fresco e húmido, ilustrando a dificuldade que os modelos têm em antecipar transições complexas quando estão envolvidas interacções entre o vórtice polar, o jato polar e padrões tropicais.

Conclusão: chuva a caminho

Em resumo, a chuva deverá regressar após a breve pausa anticiclónica. Apesar de, até agora, não existirem sinais claros de um evento tão extremo como o registado no início do mês, existe um risco moderado de precipitação persistente e localmente intensa. Num contexto em que o país ainda tem solos saturados e rios com caudais elevados, mesmo chuva dentro da média pode causar transtornos e exigir atenção contínua das autoridades e da população.

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