Pedro Passos Coelho: da ausência da política à possibilidade de regresso

A fisioterapeuta lutava há anos contra um tumor no joelho, e a situação tornou-se crítica, exigindo atenção e cuidados constantes do antigo primeiro-ministro, especialmente em relação à filha do casal, Júlia, então ainda criança.
Nos dois anos seguintes, Passos Coelho concentrou-se exclusivamente na família, acompanhando Laura nos últimos meses de vida. Laura Ferreira faleceu em 2020, deixando marcas profundas no político. Durante esse período, Pedro manteve-se afastado da política ativa, limitando-se a dar aulas no ISCSP, conciliando a carreira académica com a educação e bem-estar da filha.
Com Júlia agora com 17 anos, Passos Coelho começa a mostrar sinais de interesse em retomar a atividade política. Recentemente, como convidado de honra numa conferência da SEDES, criticou decisões do Governo, incluindo a nomeação do antigo diretor da Polícia Judiciária para ministro da Administração Interna, e a inércia em setores como a saúde.
“Na política, só está quem quer. Só vai para política quem quer. Já houve muito tempo para pensar, imaginar e trabalhar os cenários. Esse tempo acabou. É preciso começar a trabalhar e a fazer qualquer coisa”, afirmou, sugerindo que pode estar disposto a voltar.
Mesmo afastado, manteve contactos com figuras de relevo da política portuguesa, participando em almoços esporádicos e mantendo uma presença discreta mas influente. Contudo, rejeita um regresso a tempo inteiro enquanto a filha não se torne autónoma, cumprindo a promessa feita a Laura.
Uma vida marcada pelo sofrimento e dedicação familiar
A vida de Passos Coelho nos últimos anos foi marcada por perdas consecutivas: além da morte da esposa em 2020, perdeu o pai, o irmão mais velho e a mãe, e enfrentou problemas de saúde na irmã e na antiga companheira Fátima Padinha. Apesar destes golpes, o antigo primeiro-ministro manteve-se focado na família e no bem-estar da filha mais nova.
Atualmente, vive no mesmo apartamento em Massamá, mantém a rotina diária com a filha e o cão da família, Koda, e tem evitado dar protagonismo à sua vida pessoal. Passos Coelho mantém uma postura discreta, mas as palavras recentes e a participação em eventos indicam que poderá estar a preparar um regresso gradual à política, agora com a família já mais estabilizada.
O antigo líder do PSD não confirma nem desmente, mas deixa no ar a possibilidade de voltar aos palcos políticos, demonstrando que, mesmo afastado, a política continua a fazer parte da sua vida.







