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Rio Tejo continua a baixar e revela rasto de destruição após cheias históricas

O nível do Rio Tejo continua a descer de forma significativa, aproximando-se progressivamente do seu leito normal, mas a retirada das águas está agora a expor os danos profundos provocados pelas recentes cheias. Segundo a Proteção Civil**, a tendência de descida mantém-se e deverá permitir, nas próximas horas, o acesso seguro às zonas afetadas para avaliação e início das operações de limpeza.

De acordo com o comandante sub-regional da Proteção Civil do Médio Tejo, David Lobato, a situação está mais estabilizada na parte norte do distrito de Santarém, onde o rio já regressou praticamente ao seu curso habitual. No entanto, a zona sul, especialmente na Lezíria, continua a registar níveis elevados, aguardando-se uma normalização gradual até ao final do mês. “Desceu bastante, agora vai-se notando muita destruição, que é o normal nestas circunstâncias”, afirmou o responsável.

Com a água a recuar, começam a surgir à vista os estragos em restaurantes ribeirinhos, parques infantis, equipamentos públicos e infraestruturas diversas que ficaram submersos durante vários dias. Muitas destas estruturas apresentam um elevado grau de destruição, exigindo intervenções profundas. A expectativa das autoridades é que, já na segunda-feira, se iniciem formalmente as operações de limpeza no Médio Tejo, enquanto na Lezíria os trabalhos deverão arrancar mais tarde.

As cheias foram consequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que deixaram um saldo trágico de 16 mortos em Portugal, além de centenas de feridos e desalojados. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo estão entre as mais afetadas, registando destruição de habitações, empresas e equipamentos públicos, quedas de árvores, estradas cortadas e interrupções nos serviços essenciais como energia, água e comunicações.

Perante a gravidade da situação, o Governo declarou situação de calamidade em 68 concelhos e anunciou um pacote de apoio que pode atingir os 2,5 mil milhões de euros. O nível de alerta, atualmente no vermelho, poderá ser reduzido para amarelo após nova reunião da comissão distrital da Proteção Civil de Santarém. Apesar da descida do rio Tejo trazer algum alívio, o verdadeiro desafio começa agora: reconstruir, limpar e devolver a normalidade às populações afetadas.

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